Praticamente já me acostumei. Na época em que dava aulas no seminário teológico, raros eram os alunos que me chamavam de “professor”. Creio que por a maioria de seus professores serem pastores, estavam condicionados a levantar o dedo e começar: “Mas, Pastor…”. No início eu corrigia. “Não sou Pastor, querido…”, mas depois de nove anos eu já deixava para lá. Aqui no APENAS e no twitter a história se repete: é curioso observar a quantidade de pessoas que me chamam de Pastor nos comentários e nos tuítes do twitter – embora no link “Quem sou eu” deixe bem claro que não passo de uma ovelhinha. Isso começou a acontecer com tanta frequência aqui no mundo virtual que passei a refletir sobre isso. E cheguei a uma conclusão triste.
Faltam referenciais para a Igreja evangélica brasileira. O povo leigo – eu e você – está carente de líderes que lhes edifiquem, exortem e consolem. A coisa está tão difícil, as referências pastorais vistas na grande mídia são tão funestas que o rebanho não tem exemplos dignos. Acabam buscando-os em pessoas como eu, que não passo de um avatar em apenas mais um blog da Internet. E isso está errado. Eu não deveria ser referencial para ninguém. Seu pastor sim. Pois foi ele quem Jesus escalou para cuidar de sua alma.
Certo leitor do APENAS me pediu meu e-mail. Passei para ele, que me contou dificuldades que estava enfrentando e pediu aconselhamento. Como sempre faço, a primeira pergunta que envio é a de praxe: “Você já conversou com seu Pastor sobre isso?”. E ele me deu uma resposta que me arrasou: “Não, porque da última vez que conversei sobre uma questão íntima com ele no dia seguinte a igreja inteira estava sabendo”. Aquilo rasgou meu coração. O Pastor acima de tudo deve ter a confiança do rebanho. Ele é uma figura paterna e nada pior do que um pai traidor. E há muitos mal preparados.
Entenda que não estou pondo todos no mesmo saco. Muitos e muitos pastores são homens de Deus, vocacionados, que estudaram, se prepararam, leem bons livros constantemente, têm vidas de oração e leitura bíblica, são piedosos e humildes, Pastores com “P” maiúsculo. Na igreja em que congrego mesmo tenho três pastores que são referência para mim. Homens simples, próximos, devotados, desprendidos, amorosos. Conheço com certa profundidade suas vidas pessoais e ponho não minha mão, mas meu corpo inteiro no fogo por eles. Mas muitos e muitos e muitos por esse Brasil afora não dispõem do privilégio de que eu disponho: não têm em seus pastores alguém em quem se espelhar. Se você tem seja muito grato a Deus.
Espero sinceramente e oro para que cada cristão deste país tenha um Pastor em quem confiar, com quem contar, em quem se apoiar, que possa exortá-lo, que seja tudo do que uma ovelha precisa. Que tome o leão pela juba e arranque a ovelhinha de suas presas, para usar as palavras de Davi. Pois o que ouço de muitos irmãos é que o lobo entra no aprisco e os pastores ficam só sentados, mascando um chicletinho, observando inertes as ovelhas serem trucidadas pelas feras enquanto só se preocupam em aumentar seus templos, conseguir mais dizimistas, trocar de carro todo ano, aparecer na TV e de preferência ganhar fama e projeção. Não sou eu quem digo isso. São os seus próprios membros. Que triste. Que triste. Que triste.
Ovelhas são pessoas. Pessoas são almas. E como diz Walter McAlister, Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida, como registrado em seu livro “O Fim de Uma Era”, do ponto de vista humano o Pastor é “o responsável pelo destino eterno de almas humanas”. Meu Deus. Que responsabilidade! E muitos levam isso tão na flauta que suas ovelhas precisam recorrer a mim, um leigo, um simples membro de igreja, um zé-ninguém em termos ministeriais em busca de acolhimento, conselho e instrução – que deveriam encontrar nas suas casas de fé.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
MAURÍCIO ZÁGARI
FONTE: BLOG APENAS http://apenas1.wordpress.com/
Em Cristo,
Mário César
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