Negar-se a si mesmo? Fala sério…

Por Maurício ZagariVamos fazer uma coisa chata para muitos cristãos que estão na Internet: ler a Bíblia. Não, claro que não estou falando de você, querido leitor, que sem sombra de dúvida tem momentos devocionais diários e que investe muito mais tempo na leitura da Palavra de Deus do que em outros prazeres, como Twitter, Facebook, televisão, shows gospel e entretenimentos do gênero. Ler a Bíblia não diverte, é apenas um privilégio que o Criador do universo concedeu àqueles que querem de fato conhecê-lo em intimidade, negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo. E, veja só, é exatamente sobre isso que tratam as três passagens das Escrituras que te convido a ler agora. As três contam o mesmo episódio, mas tirado de evangelhos diferentes:

Em Lucas 9.22-24, Jesus diz: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite. Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará“.

Já em Marcos 8.34-36, conta o evangelista: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?“.

Por fim, Mateus 16.24-27 afirma: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras“.


Todos nós conhecemos essas palavras de Jesus. Mas o que elas querem de fato dizer? O que significa “negar-se a si mesmo”? E… “tomar a cruz”? Coisa estranha, hoje em dia crucificação nem existe mais em nossa sociedade. O que então Jesus quis dizer com isso? Quais são suas implicações práticas? Bem, vamos devagar.

Em primeiro lugar é importante vermos a quem Jesus estava se dirigindo. Os textos deixam claro que havia uma multidão dos que o seguiam e… os discípulos. Ou seja, Jesus estava falando para crentes. Para mim e para você. E não foram palavras fáceis de se ouvir. Não foi um exposição sobre prosperidade material, “Vida Vitoriosa para Você”, sobre declarar a bênção ou “tomar posse” do carro do ano. Não, nenhuma dessas heresias foi o assunto de Jesus. Ele falou sobre algo duro. Algo que ninguém quer ouvir: abnegação.

“Abnegação”, como a análise da palavra mostra, tem a ver com ab-negação, ou seja, com negação do interior. Segundo o dicionário, é “renúncia espontânea do interesse, da vontade, da conveniência própria”. É sobre isso que Jesus está tratando aqui: negar-se a si mesmo significa não lutar em favor do que lhe interessa, de dinheiro, de um bom marido, de facilidades, de benefícios. Significa, isso sim, abrir mão do que me interessa, do que me é conveniente, daquilo que tenho vontade de fazer”. Ok, mas e depois? Bem… depois a coisa piora.

Passo a passo: Jesus está dizendo para aqueles por quem tinha vindo à terra sofrer e morrer que teriam de abrir mão de seus desejos, interesses e vontades. Só que não para aí. O Mestre prossegue: “Dia a dia tome a sua cruz”. Coisa pesada, literalmente. Estima-se que uma cruz pesasse cerca de 80 a 90 quilos. Olha, não sei se você tem noção, mas isso é MUITO peso. Minha filha pesa cerca de 9 quilos e se a carrego no colo por pouco mais de dez minutos sinto dores nos braços, nas costas, em tudo o que é parte do corpo. Multiplique isso por dez. Me imagino carregando dez filhas e a imagem que vem a minha mente é uma dor de coluna incomensurável.

Mas não é só a um difícil, cansativo e doloroso ato físico que Jesus está se referindo. Repare o contexto no evangelho segundo Lucas. Antes de dizer o que era necessário para segui-lo, o Cristo profetiza a sua própria paixão e morte: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite”. Ou seja: Jesus antevia sua própria cruz. Que viria depois de “sofrer muitas coisas”, “ser rejeitado” e, enfim, causaria sua morte.

Eis o que Jesus propõe aos que desejam segui-lo: abrir mão de seus desejos, interesses e vontades, sofrer muitas coisas, ser rejeitado e até dispor-se a perder a vida por sua decisão. E isso “dia a dia”, ou seja: sempre. Nada fácil, hein?! Dá vontade de dizer “fala sério, Jesus, pega leve”.

“Mas então esse negócio de ser cristão é um péssimo negócio, Zágari”, muitos poderiam dizer. Bem, aparentemente só temos a perder ao ir após Jesus, ou seja, ao segui-lo. Mas calma. O texto ainda não terminou, ele não para por aí. “Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará”. Aqui já entra um elemento novo: Jesus empenha sua palavra numa promessa: que quem se submeter a tudo isso e abrir mão de sua vida por Cristo a terá salva. Uau, aqui o jogo vira. As nuvens negras começam a deixar passar um raio de sol. “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”, é a pergunta crucial do Mestre. Por quê?

Porque até agora parecia uma péssima ideia seguir Jesus. Abnegação, carregar uma cruz di-a-ri-a-men-te, perder a vida, sofrer… meu Deus, quem quer isso? Pra viver esse negócio é melhor esquecer essa ideia de igreja e ir à praia. Só que aí chega o Mestre com essa pergunta, que cria uma oposição reveladora: revela o preço da alma humana. Não sejamos hipócritas: quem não gostaria de ganhar o mundo inteiro? Espere. Acho que você não conseguiu visualizar ainda o significado dessa expressão: “mundo inteiro”.

Querido, querida, nós ficamos exultantes se encontramos uma nota de 100 reais no meio da rua. Por quê? Porque é algo de valor material que pode nos proporcionar benefícios, comprar uma roupa, um lanche, 6 exemplares do livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, 5 ingressos de cinema e por aí vai (sim, uma entrada no cinema custa mais caro do que meu mais recente livro rs). Agora, se 100 reais nos causam essa alegria, imagine o que não nos proporcionaria ganhar “o mundo inteiro”? Pense na riqueza dos sheiks do petróleo árabes, na cobertura de Donald Trump, nas mansões dos astros de Beverly Hills, nas jóias das lojas de Rodeo Drive, no montante de dinheiro movimentado todo dia na Bolsa de Valores de Nova Iorque, nas limusines que desfilam por Los Angeles, nas fortunas dos novos-ricos de Miami, nas joias da Coroa britânica que estão na Torre de Londres, em todos os bens acumulados por falsos pastores que compram fazendas de gado e jatos particulares com o dinheiro dos fieis… pense em tudo isso e em muito, muito, muito mais. Tesouros, fortunas, prédios, impérios… meu Deus, é muita, mas MUITA coisa. Segundo a revista “Galileu”, há no mundo atualmente US$ 170 trilhões em dinheiro circulando por todos os países (ou R$ 309 trilhões). Tentei calcular quantos exemplares de “A Verdadeira Vitória do Cristão” seria possível adquirir com esse valor mas minha calculadora não teve dígitos suficientes para fazer a conta, tão grande é esse montante.

E aí vem Jesus e diz que toda essa riqueza não vale uma única alma humana. Uau. Dá pra imaginar então quanto vale uma alma? No mínimo, no mínimo, 170 trilhões de dólares, para Jesus dizer isso. Hoje eu passei numa praça e havia uma mendiga, provavelmente esquizofrênica, falando sozinha sem parar coisas sobre Brigitte Bardot. Pois a alma daquele ser esquecido pelo mundo custa muito mais que 309 trilhões de reais. Assim, eu me atreveria a dizer que NADA paga uma alma humana.

Retornando à linha de raciocínio, abrir mão de seus desejos, interesses e vontades, sofrer muitas coisas, ser rejeitado e até dispor-se a perder a vida por sua decisão todos os dias entra em um prato da balança e a sua alma, que vale mais do que 309 trilhões de reais entra no outro. Para que lado pende a balança? Jesus responde: o peso de sua alma faz com que ela abaixe o prato da balança, enquanto o mundo inteiro vai lá para cima. É um peso bem desigual.

E, ao final, Jesus encerra, dizendo “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras”. Esse e o gran finale, o desfecho, o fechar das cortinas após o último ato. Nós sofremos, fomos abnegados, abrimos mão de nós mesmos, carregamos a cruz, passamos os maiores perrengues do mundo para seguir Cristo. E agora Ele diz de que serviu isso tudo: na volta de Jesus Ele virá em sua glória e majestade, ladeado pelos anjos, na companhia do Pai, e trará recompensa. Sim, meu irmão, minha irmã, compensará. Todo o sufoco, o sacrifício, a abnegação, o abrir mão de seus desejos, interesses e vontades, o sofrer muitas coisas, ser rejeitado e até dispor-se a perder a vida dia a dia por causa de Cristo compensará. Pois o Senhor preservará viva por toda a eternidade a sua alma de valor incalculável e, além disso, ainda lhe dará aquilo descrito em 1 Coríntios 2.9: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

É isso, meu irmão, minha irmã. Aparentemente, a si mesmo se negar, tomar a sua cruz e seguir Jesus pode parecer um mau negócio, pois trará muita tribulação. Abrir mão do que se quer não é fácil. Mas, no fim, a recompensa é vida eterna para nossa alma e ainda por cima maravilhas que permanecem um segredo, já que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetraram em coração humano. Não sei o que você pensa, mas no final das contas para mim me parece um ótimo negócio. O preço para manter minha alma viva pela eternidade é carregar minha cruz? É abrir mão de mim? É despir-me dos meus quereres humanos por amor a Jesus de Nazaré? Então, por favor, apenas me ajude a apoiar esses 90 quilos no ombro e comecemos a caminhada.

Paz a todos vocês que estão em Cristo. FONTE: APENAS  http://apenas1.wordpress.com/


Em Cristo,

Mário César de Abreu

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